Para além das notícias na televisão,
imprensa e rádio e do grande falatório e contestação na marcha do 1º de Maio na
Av. da Liberdade, eu vi com os meus próprios olhos a
"corrida às promoções", como têm intitulado a polémica do Pingo Doce.
Estava de carro a passar numa rotunda e não estava a perceber o
porquê de todo aquele trânsito num feriado nacional e ainda por cima às quinze
horas. Mas fui andando e lembrei-me do que a minha mãe me tinha falado dos 50
por cento de desconto nos Supermercados do Grupo Jerónimo Martins - neste caso
o Pingo Doce. Então todo o trânsito se devia, não só à quantidade inexplicável
de carros dentro do parque de estacionamento do Pingo Doce (de Loures), estando
a polícia a proibir a entrada de mais clientes com viaturas, como também uma
correnteza enorme de carros estacionados nos pequenos passeios existentes à
volta deste supermercado.
Muitos dizem que é bestial, porque a crise
pela qual estamos a passar leva a uns a passar fome e outros não ter tanta
fartura. No entanto, a grande questão que maior parte do povo não coloca é:
"Mas porquê num 1º de Maio, considerado Dia do Trabalhador?". Segundo
o que me foi dito todo o trabalhador tem direito a gozar esse dia. No entanto,
decidiram acabar com o feriado, não sendo o governo a fazê-lo, mas sim os donos
destes estabelecimentos, aliciando os seus empregados dos grupos Sonae e
Jerónimo Martins a ir trabalhar neste dia, pagando o dobro ou mais do que
pagariam num outro feriado. E, claro, que ninguém negaria uma oferta destas.
Outra coisa aliciante que fizeram, não “obrigando”
só os empregados a ir trabalhar, foram as promoções surreais para os clientes,
que, por sua vez, apareceram em grande massa e causando grandes confusões.
Na minha opinião é perfeitamente normal
que os portugueses tenham aderido a esta grande promoção. Mas uma coisa é
certa, desta maneira aos poucos e poucos nos vão tirando mais direitos e
fazendo de nós um povo fútil. Porque para a rua saíram uns quantos para fazer a
grande marcha do 1º de Maio, lutando mais uma vez pelos direitos do povo,
fazendo do 1º de Maio o Dia do Trabalhador, enquanto outros foram levados a
sair de casa para o consumir a metade do preço, fazendo do 1º de Maio o dia do
Consumidor (que nem de casa saíam noutro ano qualquer nem para passear o cão).
Fora esta revolta e polémica, que até no
programa da RTP1 5 para a meia-noite deu que falar, é bom ouvir o
secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, e o secretário-geral do PCP, Jerónimo
Sousa, dizerem que esta foi das maiores marchas dos últimos anos, afirmando que
esta foi mais uma demonstração de desagrado de um país em constante luta.