Ontem passei por uma "Operação Stop" da GNR e vi uma agente a mandar-me encostar e parar o carro.
Considero-me uma pessoa que merece sempre uma segunda oportunidade, por várias razões que seria exaustivo estar a enumerar. Mas esta agente, qual segunda oportunidade: estavam eles, cobardemente escondidos numa esquina, eles e a sua frota de carros e motas. Ia eu, a conduzir o meu pomposo carrinho e a cometer uma "contra-ordenação grave", que já tinha cometido vezes e vezes sem conta: criou-se o mau hábito.
Virei a esquina e ela (a agente), nem tempo me deu de deixar deslizar o telemóvel pelo meu braço, de fingir estar a coçar a orelha, sei lá eu, qualquer coisa que não seja estar a falar ao telemóvel.
Fez uso do seu imponente polegar e bafejou ar para dentro do seu imperdoável apito e mandou-me encostar. Faz uma continência e pergunta pelos "documentos de identificação pessoal e da viatura". Depois de tudo conferir, vem a pergunta da praxe: "Sabe porque é que foi mandado encostar não sabe?". Tive aquela ridícula tendência de dizer que não fazia a mínima ideia ou até perguntar: "tenho algum pneu furado?". E se eu tivesse um ataque de insanidade mental e de perda de memória? Seria a minha palavra contra a dela. Se eu jurasse até à morte que não estava a falar ao telemóvel, até onde seria testada a crebibilidade da palavra dela? Não sei, nem nunca vou saber.
Sei é que ainda fiz uso dos argumentos do costume: "não pode fechar os olhos a esta multa? Sou estudante, ando sempre aflito de dinheiro!". Reparem agora na subtileza da agente: "Se não conseguir pagar neste momento a multa, a sua carta de condução e viatura ficam apreendidas e poderá levantá-las na esquadra da PSP de Cascais quando arranjar forma de pagar a multa".
Respirei fundo. Fiz um ar insano, creio eu. Saquei do multibanco e larguei 120 euros.
Se aprendi? Aprendi. Tinha um auricular em casa, o que faz a multa ainda mais ridícula.
Mas lembro-me de um episódio ocorrido há dois meses atrás: assaltaram o meu carro e levaram-me coisas com um valor afectivo incalculável. (Pedro, guardavas coisas com um valor incalculável no carro? Sim guardava, o carro é meu e se o comprei não foi para pensar em cada minuto do meu dia que podia ser assaltado. Posso fazer com ele o que eu quiser).
O assalto ocorreu à porta da minha casa, o sítio onde vou deixar o carro durante muitos mais dias. Mas nessa noite, não estava nenhum agente da PSP com um dedo indicador imponente e um apito imperdoável para evitar o assalto. Não estava. E eu fui assaltado. E não me parece que isto seja um cenário justo.
Se é verdade que não podemos ter um agente da PSP em cada esquina das nossas ruas, também é verdade que eu não tenho rigorosamente nada a ver com isso. Devia haver um qualquer mecanismo de compensação, algo que funcionasse mais ou menos assim: a agente da PSP apanha-me com o telemóvel a conduzir e verifica que há pouco tempo a polícia não evitou um assalto ao meu carro que me deu um prejuízo que rondou os 650 euros. Isso deveria ser o meu plafôn para multas!
Mas claro, isto é só uma divagação de um cidadão que paga os seus impostos e é assaltado de várias formas..-
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